AS GUITARRAS DO EZEQUIEL

Se existe uma coisa que músico não se esquece é dos seus instrumentos. Existem até aqueles que, vem o tempo, vai o tempo, nunca trocam de instrumento por toda a vida (violão, por exemplo) em decorrência do prazer e da cumplicidade gerados pela relação de intimidade. 

Quando comecei a tocar violão ali pelos idos de 1963, eu queria ardentemente uma guitarra elétrica, mas a grana era curta, muito curta. Ao entrar para o Conjunto do Mário Nelli, eu tinha de tocar no violão (amarelo) pertencente ao Clube dos XX, e amaciado pelo grande Laércio Mastrodomênico. Mas, de tanto uso, os trastes superiores até a 5ª casa desse violão já estavam sulcados.

Meu irmão Beto, que na época morava em Maringá (PR) e que vim a perder em 1971, soube desse meu desejo e me surpreendeu um dia, me presenteando com a minha primeira guitarra.  E com ela toquei por um bom tempo.Tinha excelente sonoridade, mas era pesada pra caramba e quase me punha no chão depois de animar uma brincadeira ou baile. Não tinha uma marca aparente/registrada e até fizemos a hipótese de que, antes de ser guitarra, ela servira como contrabaixo.  Outra hipótese era a de que ela tinha sido produto de algum artesão paranaense. Sabe-se lá!

Não sei que fim eu dei para esse presente do meu irmão; só sei que fui a São Paulo e comprei, com dinheiro ganho com música, a minha segunda guitarra: uma Gianini vermelha e preta , adquirida na loja da Rua Aurora (existente até hoje). Ela era bem mais leve e tinha uma alavanca de vibrato. E junto com ela comprei um amplificador Phelpa, bastante avançado para a época.


Mas a aceleração elétrica e as inovações da época me levaram a adquirir uma terceira guitarra: uma Begher que, além da alavanca, possuía dois trastes a mais no braço, além da distorção no próprio corpo da guitarra. Ela deu água na boca em muitos guitarristas pelos lugares  por onde passamos.


Dessas três guitarras, confesso que me senti muito melhor tocando na Gianini e acho que deveria ter guardado essa lembrança comigo. Mas somente a Begher restou aqui em casa - recentemente mandei o instrumento para uma reforma geral num luthier aqui de Campinas e ele prometeu que vou tocar nela de novo. Vamos ver....





Ezequiel toca do violão elétrico do Clube dos XX.
Atrás, o Matheus Lorenzetti, super baterista da época

Ezequiel, guitarrista do Emi Eni Sete

Comentários

  1. Que maravilha ler estes comentários do meu amigo Ezequiel. Que saudades dos velhos tempos. Valeu a pena.

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GRATO PELO SEU COMENTÁRIO. Reserve o dia 07 de dezembro de 2013 para participar da NOITE DE GALA. Abraço, Ezequiel

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